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Lente de um Amador

25 de julho de 2025 5 min de leitura

Publicado originalmente no Medium: https://medium.com/@vitorhugoeu/lente-de-um-amador-105668df5c40?source=rss-77c1e4cdc6d0------2


Lente de um Amador

Existem leituras que não passam por nós. Somos nós que passamos por elas. E às vezes, no processo, elas nos atravessam.

Foi isso que aconteceu comigo ao ler um capítulo do livro Mostre o Seu Trabalho, de Austin Kleon. que foi o grande motivador de eu ter começado a escrever, Obrigado Austin! e no capítulo que eu vi era sobre ser amador.

E dali, de quatro páginas, surgiram três camadas de mim. Três reflexões. Três blocos de pensamento que não estavam no livro estavam em mim, esperando alguém abrir a porta certa. E trouxe aqui também.

Já parou pra pensar que começar é um ato de coragem invisível?

“Eu sou o Vitor tentando correr.”, no passado, alguns meses atrás eu era o cara tentando correr, hoje após algumas mudanças na vida, parei de treinar, parei de correr, parei de me movimentar, contraintuitivo? vejo que, um pouquinho diferente desde quando eu estava ao escrever esse texto pela primeira vez. Mas vou voltar a me mover, não fui feito pra ficar parado! Ninguém foi! somos feitos pra se mexer me lembra até o mestre professor Clovis com uma frase que ecoa pelo mundo “Se mexe caralh0” “Sou ruim agora, pra ser bom depois.” “A vergonha me visita, mas meu compromisso é maior do que ela.”

Eu escrevi isso depois de tentar correr na rua e perceber como eu era péssimo. Mas fui. E hoje no dia 13/06/2026 revejo lapsos da minha coragem. E vejo um baita motivo pra continuar, e principalmente voltar. Hoje vejo como um lembrete.

Lembrete do que um dia já Postei mesmo com vergonha. Falei mesmo sem saber se fazia sentido. Porque a verdade é: ninguém começa bom. Um bebê não sai da barriga da mãe já correndo, na academia não se começa pelo supino com 100kg, a gente começa pelo peso 1, pelo ano 1, começamos do início.

A gente começa como dá. Com o corpo desengonçado, o pensamento torto, a respiração fora de ritmo. Mas é assim que se começa. E sendo bem sincero comigo mesmo, e com vocês, por vezes eu me esquecia desse grande pequeno detalhe.

“Um colega pode ajudar mais do que o professor porque ele sabe menos.” (Cs. Lewis)

O especialista muitas vezes esqueceu como era estar perdido. O amador ainda lembra da dor. E é por isso que, às vezes, o que sabe menos, ensina melhor.

Saber demais sem aplicar endurece. O conhecimento, quando não é exercitado, vira livro acumulado na biblioteca. Ele se guarda em gavetas mentais. E vai deixando de ser útil. O amador, por outro lado, ainda tá com o mapa na mão, tentando entender onde tá a saída. E por isso, ele compartilha o que tá vivo.

Se já parou pra pensar que seu pensamento é a ferramenta que ninguém pode copiar de você?

“por que ninguém pensa como ninguém.”

Essa frase me deu uma pontada no meu âmago. Foi o ponto de virada, me deu uma nova perspectiva.

Enquanto lia o trecho sobre “achar uma cena” e “preencher os vazios”, percebi que a minha forma de pensar é o espaço vazio, e que baita espaço com uma possibilidade massa de ocupar, ein!? É a lacuna que só eu posso ocupar, é onde posso ocupar, e onde posso colocar pro jogo aquilo que só eu posso fazer.

Mesmo que alguém tenha as mesmas experiências, referências e dores… a lente ainda é só minha. E isso é muito doido, como uma coisa não é igual pra todo mundo, se já pensou nisso? doido demais! E é essa mesma lente, é ela que dá o tom do que eu escrevo, do que eu digo, do que eu compartilho.

A partir de agora, eu escolho não mais calar o que penso. Isso aqui é um grito de guerra, de continuar e até um lembrete pra mim que comecei a postar carrosséis no meu instagram, conteúdos que só eu tenho a lente, de conexões diferentes, mas que pra mim são muito coerentes, como Zajonc, Zahavi, e ainda outros que estão por vir, e não é porque sou especialista, estou longe de ser especialista, me lembra até a frase da madre Teresa: - "O que eu faço é apenas uma gota no meio de um oceano. Mas, sem essa gota, o oceano seria menor." Não porque tenho um diploma, uma fórmula ou um método. Mas porque tenho vida suficiente acontecendo dentro de mim pra ser expressa.

E se for verdade… Se for a MINHA verdade, já é suficiente.

Porque o valor de ser amador está em justamente não esperar ser perfeito pra aparecer.

Se for pra errar, que seja com intenção, com muita vontade, com Vivida vis animi como diz o conde Chesterfield para seu filho Se for pra começar, que seja com amor, com aquilo que nos conecta, que nos faz a gente, ser nós. Se for pra pensar… que seja em voz alta, e como falo em voz alta! kkkkk vejo que preciso externalizar ainda mais, gravar mais, postar mais, documentar a minha existência, deixar um rastro enquanto essa constante diminuição de tempo leva os segundos que tenho.

Vejo que meses depois, assim como quando Heráclito escreveu sobre o homem e o rio, de que nem o rio é o mesmo, e nem o homem é o mesmo, me vejo melhor, mais evoluído, e com novos ajustes, já que não sou mais o mesmo homem após me banhar no rio do tempo, no rio da vida.

Acredito que isso é muito cara de Vitor, porque ninguém pensa como eu penso. Assim como ninguém pensa como você! Que baita dádiva que a gente tem! Ninguém é igual, todos temos lentes diferentes, e convenhamos que, isso por si só, já é motivo suficiente pra gente compartilhar.


— Vitor Hugo, 13/06/2026 texto reescrito

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